Este espaço destina-se à divulgação da pesca, em especial da pesca à bóia e da pesca de competição, onde relato as minhas pescarias e aventuras na região Oeste e não só.

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segunda-feira, 25 de maio de 2015

Nuestro hermano Juan Antonio Nanclares

Pois bem caros leitores, após digerir bem todos os acontecimentos do fim de semana passado(15 a 17 de maio), agora que tenho alguma disponibilidade, vou relatar hoje uma das historias relacionadas com a pesca, por mim vivida, que ficará gravada na minha memória para sempre.
Como bem sabem, sou um pescador sem segredos, gosto de partilhar tudo o que sei a outros pescadores sem receios, nos meus relatos conto tudo, pesqueiros, iscas, horas de maior actividade, etc....., gosto de demonstrar o desenrolar de toda a jornada piscatória, não só a parte final em que contabilizamos os resultados, pois para mim a pesca é muito mais que apanhar peixe, como já o referi noutras ocasiões.
Por ser um livro aberto, recebo alguns convites de pescadores que querem vir partilhar uma jornada de pesca comigo, aceito prontamente desde que tenha disponibilidade para tal.
À coisa de um ano e tal, recebi um email do Juan Antonio Nanclares, um dos meus desconhecidos seguidores do blog,  veterano pescador espanhol de bóia(pião), de San Sebastian, País Basco, queria combinar umas pescarias em Portugal comigo, pois identificava-se com o tipo de pesca que faço, com a minha historia de vida na pesca, no mail escreveu o seguinte:
  «Un gran saludo sufridor,soy juan antonio,gran y viejo aficionado a pesca a boya,te sigo tus andanzas por estas costa y me gustan mucho, me gustaria pasar unos dias de pesca por esa zona, no la conozco, te pregunto si hay posibilidad de encontrarnos e intercambiar nuestras experiencias y tecnicas de pesca,para sria un honor pescar contigo y conocerte,espero tu respuesta y buenos dias y buena pesca.»
 Eu prontamente aceitei e lhe disse que poderíamos combinar algo, coisa que não chegou a  acontecer  logo na altura, por motivos de grave doença do Juan.
Após quase um ano sem troca de mails, voltou a contactar-me, de momento estava a viver em Genebra, na Suiça, como já estava melhor de saúde gostaria de cá vir passar uns dias, conhecer-me, pescar e partilhar conhecimentos, prontamente aceitei e disse que sim, no email, escrito já noite dentro, referi que uma boa altura seria o fim de semana do grande convívio de pesca da Bordinheira, pois ia gostar do convívio e toda a sua envolvência.
Na manhã seguinte vou ao mail e já tinha a resposta:
 «Hola, como estas?
 Por tu informacion yo llego a Lisboa, dia 15 Maio a las 7h55 - procedente de Ginebra, easyjet., retorno el lunes dia 18 a las 13h, tengo los billetes.
Te tengo que preguntar que zona o sitio es por ti mejor, para que yo coja un hotel, en Torres o fuera de la ciudad ,  a donde ?
Un gran saludo, Juan»

Pensei cá para mim, não pode, ainda ontem mandei o mail e poucas horas depois já comprou os bilhetes, grande maluco este homem, fiquei curioso e fui pesquisar algo mais na net sobre esta personagem.
Juan Antonio Nanclares, participou em competições, escreveu para revistas de pesca durante alguns anos e realizou alguns videos para o canal Caça e Pesca, é um grande especialista na pesca ao sargo em torno de San Sebastian, e até mesmo na própria cidade, foi várias vezes campeão de Euskadi no tipo de pesca á bóia de pião, como vêm neste video  Pesca de Sargos em Bermeo, Espanha
Após a confirmação da sua chegada, lá combinamos as coisas, não ia ser fácil pois tenha conjugar a vida laboral, familiar e tinha também de ajudar na organização da prova, ia ser uma grande correria, mas tinha o dever de receber bem, acompanhar o Juan o melhor possível, desde a sua chegada até à sua partida, garantindo que deixava Portugal satisfeito com a experiência. 
Chegava o dia de conhecer este grande pescador, e trocar a língua portuguesa pelo espanholês ou francês, ia ser bonito ia he he he.
Tirei a sexta de férias, o meu pai por coincidência também estava de férias e fomos buscar o Juan ao aeroporto de Lisboa.
Aquele misto emoção, curiosidade estava perto de acabar, eu levava uma folha com o nome dele, típico de quem vai buscar alguém que não conhece ao aeroporto, hora combinada lá veio ele ter connosco.
O primeiro impacto não foi o esperado, da maneira como estava bem vestido, apenas com uma pequena mala de mão, muito bem educado e simpático, não se parecia nada com um pescador he he he.
A caminho de Torres Vedras, lá travamos os primeiros diálogos, a conversa fluía normalmente, logicamente a primeira impressão caia por terra.
Juan revelava-se um verdadeiro pescador, conhecedor destas andanças, pessoa muito culta e simpática deixando-nos completamente à vontade.
O programa pensado para este primeiro dia era, descarregar as malas no hotel, mostrar a cidade, realizar uma visita pela orla costeira do Oeste, tratar de prepara os engodos, iscas, materiais para a pesca e provar algumas das iguarias gastronómicas típicas.
Para começar bem, como manda a tradição do bom português, nada se faz sem comer primeiro, lá fomos comer uns típicos pasteis de feijão, numa das mais antigas pastelaria da cidade, a Pastelaria Brasão, para depois começar o trabalho propriamente dito.


Uma rápida visita pelo magnifico mercado municipal da cidade, para ver iscos, eu sou suspeito para o afirmar, mas do que já vi em Portugal, este é um dos melhores no que toca a qualidade de produtos, um dos mais bem organizados do pais, vale a pena visitar, espaço muito agradável, aqui pode encontrar preço, qualidade, produtos tradicionais e caseiros.

Depois desta rápida visita, fomos ver o mar, desde Porto Novo até à Praia Azul, muito vento, mar muito escangalhado, e mexido, deixava poucas perspectivas para grandes pescarias, mas havia que tratar dos engodos para 2 dias de pesca que se seguiriam.
Depois de uma breve passagem pela Bordinheira, para dar a conhecer o clube e pessoal amigo que por lá se encontrava, fomos comprar algum material em falta, anzóis maiores e de argola 1/0, pois não utilizo deste tipo, batentes para pião e destorcedores, o resto tinha lá por casa e chegava para desenrascar o Juan.
Depois de uma valente almoçarada, mãos à obra, fazer uma lata de engodo, bem grossa e pastosa à moda do Juan, com alguns segredos especiais, tais como acrescentar pão ralado, estava feito, colocar no congelador, para não fermentar, tudo preparado para ir realizar uma pescaria na manhã seguinte, e muita curiosidade para ver como corria.

Mas o dia ainda estava longe de ter terminado, faltava uma animada jantarada entre pescadores noite fora, havia que mostrar ao Juan a boa gastronomia do pais, um bom bacalhau, e umas belas espetadas de carne, com um bom vinho do Oeste para acompanhar.
Depois de uma grande noite, já com as baterias carregadas, era hora de descansar para o dia seguinte ir ao mar.
Amigos eu sei que não devia ter pescado no sábado antes da prova, pois é proibido, mas nesta ocasião tive de infringir os regulamentos, o homem estava cá para pescar e tinha de aproveitar o pouco tempo que cá estava para o fazer, assim por volta das 9 horas estava a apanhar o Juan no hotel, fomos procurar pesqueiro fora da zona da prova de domingo, com a maré quase cheia, e algum vento, não foi fácil arranjar local para pescar, São Lourenço, do lado Sul da praia foi o que mais agradou ao Juan e ai apostamos.
Depois de ele preparar o pesqueiro e material à sua maneira, eu fiquei a apreciar e ver como tudo se fazia, quando chegou à parte da isca, camarão inteiro com casca, colocado num anzol 1/0 com empate 0,35mm, pensei logo, em Espanha só pode haver muitos sargos, e dos grandes.
Disse-lhe logo, assim não vais apanhar nada, pelo menos tens de descascar o camarão, os sargos portugueses são mais finos e calões, temos de lhes dar a comidinha na boca, sem espinhas, peles, cascas e mesmo assim às vezes não querem he he he.






Bom, depois de ele começar a pescar, fui eu montar a minha cana, com a tradicional montagem que costumo fazer, com fio mono-filamento 0,18mm, apenas alterei a bóia para uma maior, 10grs e um anzol um pouco maior do que costume.
Por ali estivemos umas 3 horas a pescar, ele sempre no mesmo ponto, eu não aguentei e fui uns metros ora à direita, ora à esquerda, o resultado não foi positivo, sargos nem vê-los, o Juan ficou em branco e eu apenas consegui apanhar uma salema.

Como estava na hora de almoço, arrumamos as tralhas e fomos procurar almoço, como o Juan tinha ficado fã de bacalhau, pediu-me para pararmos num restaurante para comer novamente, como existem mil e uma maneiras de comer bacalhau, desta vez foi à lagareiro, estava divinal.
Eu estava contente, mas o Juan irradiava alegria, dizia que estava a adorar tudo, para um homem de 68 anos que passou pelo que ele já passou, estes acontecimentos faziam voltar a trás no tempo e sentir-se mais novo, faziam relembrar da sua juventude e de quando começou a pescar com seu pai, afirmava que gostava imenso de ler os meus relatos do blog, que a minha historia de vida na pesca é muito semelhante à sua, que lhe trás muitas e boas memórias.
Tal como eu costumo dizer, pescar não é um simples acto de apanhar peixe, é a fusão de tudo, preparativos, pescar, mas acima de tudo as emoções e sentimentos que dai vem, o antes, o durante e depois da pesca, o todo é a verdadeira essência deste desporto .
O dia chegava ao fim para Juan, estava estafado, tinha de descansar e comprar presentes para levar para a Suiça, para a sua esposa Mikaela.
Quero agradecer a Mikaela, o magnifico presente de aniversário que ofereceu ao Juan, pois é leitores à esposas assim, esta senhora ofereceu ao marido, uma viagem a Portugal durante 4 dias, para ele vir pescar, com uns desconhecidos, espero que tenha superados as expectativas e que no mínimo, ele tenha chegado ai uns 20 anos mais novo, obrigado por esta oportunidade de conhecer um grande homem e pescador.  
Se para Juan, o dia terminava, para mim o dia estava longe do fim, durante a tarde, tinha de ir para a sede da Bordinheira, ajudar na organização do convívio, tratar da parte das inscrições até altas horas da noite.
Por acaso com a ajudada de outros camaradas, correu bem melhor e mais rápido que nos anos anteriores, à meia noite estava despachado, dando tempo para ir umas horinhas com a minha esposa à festa anual de minha terra, Ponte do Rol, beber uns canecos com os amigos e dar um pezinho de dança, grande festa, para quem não conhece vale a pena vir até cá um dia.
Foto by: Banda Xeques Orquestra

Como este relato já vai bem longo e a historia ainda vai a meio, vou parar por agora, contarei todo o resto da história no relato seguinte.
Assim sendo companheiros, não percam as cenas do próximo capitulo brevemente.

10 comentários:

  1. Boas Pedro,
    Que belo relato!
    Pena o Juan, não ter apanhado um dia com uns belos sargos, pois acho que foi a única coisa que faltou, porque tudo o resto, esteve mesmo TOP+ !!!
    A Blogoesfera, tem destas coisas, há que saber aproveitar e tirar daqui grandes amizades!

    Forte Abraço

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    1. Boas grande Manuel,
      foi o que faltou mesmo apara animar a estadia do Juan, com peixe tinha sido bem melhor, pois o resto foi tudo top.
      A blogosfera é um mundo, abre imensas portas e faz com que estas amizades pouco prováveis se tornem possíveis.
      Forte abraço e bons lances.

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  2. Boas
    Gostei muito de ler.
    Não me tinha apercebido que esse sr era estrangeiro pensei que era imigrante português pois não o ouvi a falar.
    Deve ter adorado o teres recebido é acompanhado pena mesmo não ter apanhado nada era a cereja no topo do bolo para ele.
    Tenho vindo aqui todos os dias à espera do relato do concurso para te dar os parabéns pela organização mas fica para o teu próximo post hehehe
    Grande abraço Pedro

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    1. Boas,
      Este relato deu-me imenso prazer a realizar, pois foi um fim de semana bem diferente e bastante prazeroso, dadas as circunstancias e desenrolar dos acontecimentos.
      O Juan é um louco pela pesca, pessoa culta e bastante sociável, a sua vinda até Portugal assim o comprova, eu talvez não tinha a coragem para fazer uma viagem destas, quem sabe se a idade e experiência de vida mude a minha maneira de estar na pesca e me faça viajar e conhecer outras realidades e pessoas.
      Obrigado pela visita e comentário, é bom saber que tenho leitores assíduos e entusiastas, os parabéns darás no próximo relato, que será o culminar desta grande aventura.
      Forte abraço e bons lances amigo.

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  3. Boas Pedro!
    Uma historia engraçada sem duvida...
    Não houve peixe mas pelo menos o Sr. levou a barriguinha cheia de bacalhau ;)
    Abraço

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    1. Boas grande Lobo,
      Uma historia com principio, meio e fim ;) daquelas que temos gosto em escrever e ler vezes sem conta.
      Bacalhau foi o prato mais comido nestes dias, mas não deu para enjoar, apenas provamos 4 pratos dos 1001 que se podem fazer com este peixe he he he
      Grande abraço e vamos ver como terá sido o final desta historia.

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  4. Boas Pedro,
    Que historia, bem porreira, pois aquilo lá no norte de Espanha é só sargaria feita:) Já tinha visto aquele vídeo:)
    Petisco do bom não faltou pelo menos:) e ainda tiveste força para ir ao baile:)
    Cá aguardo a 2ª parte, grande abraço.

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    1. Boas mestre sargalheiro,
      essa é a ideia com que fiquei, no norte de espanha só pode estar minado de sargos dos grandes, daqueles que comem bem e sem medo, mas cá a realidade é bem diferente, pelo menos na minha zona, já que são poucos e na maioria das vezes palmeiros.
      Petisco foi coisa que não faltou, agora tenho de entrar em dieta, a continuar assim não consigo emagrecer he he he.
      Vamos aguardar pela 2ª parte do relato pois promete.
      Grande abraço e boas sargalhadas.

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  5. Bela história , momentos inesqueciveis

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    Respostas
    1. Nem mais João, belos momentos, daqueles que nos lembraremos para sempre.
      Grande abraço.

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