Este espaço destina-se à divulgação da pesca, em especial da pesca à bóia e da pesca de competição, onde relato as minhas pescarias e aventuras na região Oeste e não só.

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terça-feira, 8 de novembro de 2016

Sargo de Prata

No passado dia 29 de Outubro realizou-se a XII edição do Sargo de Prata, um convívio de pesca organizado pelo Clube Millenniun BCP, que teve lugar em Peniche.
Esta é uma competição onde a espécie alvo são os sargos, onde as espécies menos nobres são menos pontuadas e as tainhas estão limitadas a 15 exemplares por pescador, o que na minha opinião é um excelente exemplo de como tornar certos concursos mais competitivos e ecológicos, se é que me entendem.
Prova participada maioritariamente por bancários e alguns convidados, como foi o meu caso, que pelo 3º ano consecutivo a convite do meu grande amigo Artur Silva, representei o grupo BPI de Lisboa.
A preparação desta jornada começou na noite anterior, com algum tempo disponível, aproveitei e fui à maré vazia apanhar uns camarões das poças com o meu filho.
No sábado arranquei bem cedo para Peniche, queria ver como estavam os pesqueiros que levava em mente, para ultimar alguns pormenores como arranjar areia para o engodo.
Com boas perspectivas em mente e alguns conselhos de pescadores amigos, a minha opção foi apostar na Papôa, pois as condições estavam mesmo de feição.
Durante a concentração para o sorteio, o ex representante do BANIF, João Miguel Silva, um grande pescador de bóia, desagradavelmente perguntou-me se podia vir pescar comigo, pois que queria aprender algumas coisas, além de fazer parte da minha equipa no BPI.
Eu prontamente aceitei está claro, gosto sempre de pescar ao lado de outros colegas, penso que além de ensinarmos, temos sempre algo a aprender também, para mim até me dava jeito ter algem que me acompanhasse naquele pesqueiro que é bastante trabalhoso e algo perigoso.
Ele ainda reticente dizia, vê lá se te faz diferença, pois o peixe que estaria à disposição de um pescador apenas, possivelmente seria dividido pelos 2.
Eu prontamente respondi, o peixe chega para os 2 companheiro, o que tu apanhares eu já não apanho e vice versa.
Posso estar errado, mas da experiência que tenho, quando entra peixe no pesqueiro apanho exactamente o mesmo se lá estiver sozinho ou com mais um ou 2 colegas, o tempo que o peixe está de passagem por lá vai ser o mesmo, o tempo que eu perco a mata-lo na agua, tira-lo do anzol, voltar a iscar, será o mesmo, por isso não se iludam companheiros.
Agora se me disserem, que se consegue trabalhar a bóia no pesqueiro estando sozinho, ai concordo, que ter 2 ou 3 pescadores a tirar peixe a probabilidade de escardear o pesqueiro é maior, também concordo.
Ter um colega a pescar ao nosso lado também trás muitas vantagens, ajudarmos-nos mutuamente durante toda a jornada, seja a acartar o material, engodar, acamaroar peixe, no aumento de entusiasmo, na procura do peixe no pesqueiro e na segurança, um aspecto muito importante que nunca devemos descurar, mas isto são apenas ideias minhas.  
Vamos passando à frente, que o relato já vai longo e ainda nem sequer comecei a pescar he he he he.... Quer queiramos ou não isto também é parte integrante da pesca.

Arrancamos finalmente para o mar, tralha às costas, numa mão uma lata com isca e engodo, na outra o balde cheio de areia para misturar no engodo, após uma longa e dura caminhada chegamos aos local pretendido, o pesqueiro dos 3 bicos.
Como ainda tínhamos meia hora até dar início à pesca, deu tempo para preparar o engodo, isca, esticar a cana que levava preparada para uma pesca mais ligeira, pois o mar era calmo e a agua lusa, fio 0,165mm e uma bóia de 3grs.
Ainda sobrou tempo para trocar umas ideias com o Miguel, ver o tipo de montagens que tinha, bem diferente da que faço, eu pesco directo, ou seja o fio sai do carreto, passa na bóia e não tem nenhum nó a não ser o do anzol, ele tinha no carreto fio 0,28mm, com uma bóia de 6grs e depois uma baixada de 0,22mm fluorcarbono, as medidas e tipos dos anzóis eram muito semelhantes, nº6 fininhos ideias para iscar beliscos de sardinha.
Chegou a hora e lá mandamos engodo ao mar e metemos as pescas a trabalhar, com a maré ainda baixa o trabalhar das aguas não era o ideal, o peixe não apareceu logo como eu estava à espera, passado uns bons 20  minutos ferro o primeiro peixe, certamente seria um bom sargo, mas teve a perícia de se entocar nalgum buraco, acabou por ficar lá tudo, peixe e bóia e tudo.
Faço nova montagem e volto à acção, logo de seguida aconteceu o mesmo ao Miguel, trancou um peixe que partiu o empate, mau queres ver que eles são poucos e não conseguimos tirar nenhum.
Mais umas colheradas de engodo e lá começaram a sair timidamente alguns sargos, mas sem aquela cadencia que gostamos.
O Miguel com uma pesca mais pesada, não estava a conseguir ferra-los, mudou a baixada para 0,18mm e melhorou um pouco nas ferragens.
Insistimos no engodo e com aguas pouco batidas tentamos explorar todas as opções, longe, a meia distancia, aos pés, e foi nesta ultima que obtivemos melhores resultados, mesmo a pescar ao tento encostado à pedra onde estávamos consegui desencantar mais alguns, 2 deles bem jeitosos que com ajuda do camaroeiro vieram para lata.
A maré já ia alta, o mar cada vez mais parado, aguas gasosas no pesqueiro era quase mentira, os sargos desapareceram, na ultima hora e meia já sem engodo com areia, apostamos forte num engodo mais aguado, engodando em maior quantidade na tentativa de por algumas tainhas no pesqueiro.
A coisa funcionou tão bem que o peixe apareceu em força, era tainhas, cavalas, bogas a monte era só cair lá a isca.
No final deu ainda para compor a pesca, foram 15 cavalas, 5 tainhas, 5 bogas e 18 sargos, arrumadas as tralhas e tirada a foto da praxe, cansados arrancamos para o carro, a pior parte da pesca sem duvida.
Na pesagem realizada na fabrica abandonada junto da marginal, com uma vista fantástica para o mar, os participantes iam fazendo fila, dava para ver que não tinha sido uma jornada farta de peixe, o que me dava boas perspectivas de vitória.


Após a pesagem em que totalizei 5kg de sargos e 6kg nos outros peixes, fiquei logo a saber que o objectivo de capturar o maior sargo não tinha sido atingido, já existia um com 1,100kgs e o maior que tinha pesava 0,850kgs.
Após a pesagem do peixe, estava cá com umas securas, ainda passei no bar do «Independente» para matar a sede com uma cerveja fresca, bebida à beira mar tem outro sabor.
Seguimos depois para o almoço convívio no restaurante Vale Oásis, com muito boa comida e bebida para animar ainda mais a malta.



Isto serve só para apagar o fogo he he he 
Chegava a hora de premiar todos os participantes, e saber os grandes vencedores deste convívio.
O maior exemplar de Sargo acusou na balança 1,100kgs e foi capturado pelo João Rebelo do GDS Cascais.
As coisas correram-me bem e consegui alcançar uma saborosa vitória totalizando 30050pts.
Em 2º lugar ficou Vitor Esteves, um experiente pescador a mostrar como se apanha peixe, somou 17060pts.
A fechar o pódio ficou outro lobo do mar, o Vitor Malheiros que somou 16040pts, a mostrar aos mais jovens que desistir é para os fracos, ainda diz ele que se vai reformar da pesca, não acredito!!!

Ficou assim completo o pódio 

Por equipas o Grupo BPI alcançou a vitória, o que me deixou extremamente satisfeito como é óbvio.

Para terminar queria dar os parabéns à organização que encabeçada pelo Francisco Garcia em representação do Clube Millenniun BCP, fizeram um excelente trabalho, dignificando a instituição e este magnifico desporto que é a Pesca Desportiva.
Para o ano caso se repita esta prova cá estarei novamente, isto se o convite se renovar, logicamente não tenho como dizer que não, tudo 5 estrelas.
Abraços a todos e bons lances companheiros.

8 comentários:

  1. Boas Pedro,
    Parabéns pela vitória!
    Concordo contigo, se formos com mais um companheiro é sempre melhor e até ajuda a fazer mais capturas, pois além de batermos os buracos ajuda a procurar o peixe.

    Forte Abraço e continua com esses bons lances

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    1. Obrigado granda Manuel, eu gosto muito de pescar acompanhado, torna a jornada mais activa, dinâmica e motivante, até nos ajuda muitas vezes a dar com o pescado.
      Só não pesco acompanhado mais vezes pois sou um pescador saltimbancos, não paro muito tempo no mesmo sitio e se estiver acompanhado fico mais preso, que no caso de estar em competição muitas vezes é prejudicial, mas fora competição sem duvida sempre com companhia.
      Aquele abraço e bons lances companheiro.

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  2. Parabéns pela vitoria Pedro!
    Grande abraço

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    Respostas
    1. Obrigado companheiro.
      Aquele abraço e muitos riscadinhos ;)

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  3. Parabéns pela vitória!
    Como é que consegue?? Por vezes estou horas e horas na Papôa, Peniche, Guincho, Cambelas a tentar apanhar alguma coisa mas nunca sai nada.
    Costumo usar 0.30mm no carreto, 0.18mm fluoro e uma bóia de +- 10g. Nunca uso engodo. Será por isso? Faz assim tanta diferença?
    A única coisa que apanhei na vida foram dois bodiões e uma cavala.
    Talvez não seja a minha vocação!
    Abraço!

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  4. Obrigado MM.
    Desde já agradeço a tua visita e comentário neste espaço de partilha.
    Pois bem parece simples mas não é, amigo os anos de pesca trazem experiência e algum conhecimento que facilitam na captura do peixe.
    Como já te apercebeste a pesca é uma ciência, onde todos os pormenores podem fazer diferença.
    As linhas, os anzóis, os iscos, os engodos, a altura da montagem que temos, o estado do mar, entre muitos outros factores influenciam e de que maneira nos resultados.
    A verdadeira ecencia está também em não desistir e continuar a tentar, ser mais teimoso he he he, ver os outros a pescar pode ajudar, ver como fazem, como iscam, como engodam.
    Sem duvida que na pesca à bóia o engodo de sardinha é a chave do sucesso, iscar com sardinha é outra peça fundamental, de resto é ir tentando fazer algumas modificações, tentar pescar mais fino, por exemplo 0,20mm directo do carreto, baixar a gramagem da bóia, para o peixe de qualidade sargos e robalos a isca tem de tocar praticamente no fundo.
    Resumindo companheiro, esta é a sua vocação, vai ver que sim se continuar a insistir.
    Um forte abraço e continua a passar por aqui e comentar pois és sempre bem vindo.

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    Respostas
    1. Muito obrigado pela resposta! Também já estive a ver a sua secção de publicações "Materiais de Pesca" e achei muito interessante.
      Uma das coisas que reparei é que usa um número de anzol mais pequeno que o que eu uso(eu uso nr4). Talvez comece a usar nrº6/8! No caso das bóias também vi a sua publicação e achei muito interessante! Tenho usado bóias extremamente pesadas comparativamente com a sua escolha.
      Em relação ao fio, 0.20mm direto do carreto? Com fluorcarbono? E tenho que comprar uns 300 metros para encher o carreto ou 100 metros chega? Os fios que tenho visto(em fluorcarbono) são todos muito pequenos em comprimento(50m/100m).

      Obrigado pela partilha de conhecimento.
      Continuarei, obviamente, a ler o seu blog!

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    2. Como disse Márcio, sempre às ordens companheiro, estamos cá para nos ajudarmos uns aos outros, pelo menos é a minha maneira de pensar.
      Bom no que toca aos anzóis o nº4 também não é nada demais, também pesco muito com esse tamanho, o que tens de ver é o modelo do anzol, tem de ser fino e com um bico afiado para conseguires iscar bem com sardinha.
      As bóias podes começar com umas de 7grs tipo caneta são mais sensíveis, o fio eu opto por fio sem ser flúor carbono é mais macio e não ganha vícios, os chumbos fendidos de 1,5grs, 1grs, 0,5grs de preferência macios para conseguires move-los no fio sem trilhar ou vincar o fio, um concelho colocar os chumbos todos juntos palmo e meio do anzol ajuda muito no pois ao lançar não embrulha a pesca e ajuda a que a bóia trabalhe melhor, se forem bóias maiores que 7grs tens de distribuir os chumbos para que os peixes desconfiem menos da prisão causada pelo peso dos mesmos.
      Outra dica, quando bobinares os carretos, primeiro colocar um fio de enchimento primeiro, mais grosso e mais barato, para completar depois com os 100mts do 0,20mm, convém que o fio não passe para fora do bordo da bobine pois vai fazer cabeleiras, nem convém que fique muito fundo pois vai dificultar o lançamento.
      Atenção pois estas montagens funcionam em vários tipos de pesqueiros, mas é em pesqueiros baixos e com profundidades até 3mts que melhores resultados oferecem.
      Não esquecer que pesqueiros altos em que é necessário içar peixe com estas espessuras de fio terás de ter cuidado, os dissabores de perder os melhores exemplares podem acontecer com muita facilidade.
      Em breve ver se arranjo algum tempo para realizar uns vídeos a explicar todo processo.
      Um grande abraço e bons lances.

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