Este espaço destina-se à divulgação da pesca, em especial da pesca à bóia e da pesca de competição, onde relato as minhas pescarias e aventuras na região Oeste e não só.

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sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Uma Carta fora do baralho ;)

Continuação da saga feira Oeste Natura.
Às 5 e meia toca o despertador, apenas tempo para o pequeno almoço e vestir a farda de trabalho, como prometido às 6 e meia estava no complexo desportivo do Turcifal, para receber os pescadores e entregar as fichas de inscrição.
Depois do habitual sorteio, lá arrancamos todos para o mar, eu fui com o meu pai e desta vez deixei ao seu critério a escolha do pesqueiro.
Ele optou pela praia da Assenta Norte, mas como não sou grande fã dessa zona torci o nariz, quando lá chegamos o mar apesar de calmo, estava algo turvo, coisa que não me agrada muito na pesca, mas como as informações que tinha era que estaria igual por toda a costa, não podia fugir a essa contrariedade e acabamos por ficar por ali mesmo.
Descemos à praia, com a maré ainda a descer, mas praticamente na baixa mar, a solução foi ir para o lado norte, pescar nuns lagos entre umas pedras, onde costuma dar uns peixes.
Depois de preparar o engodo e isca, tudo na base da sardinha, montei apenas uma cana com fio 0,165mm e uma bóia de 3grs, deixo o material cá atrás e levo apenas o essencial comigo lá para o pesqueiro.
Nisto aparece ao meu lado o Toní(Filhos da Escola), pergunta-me se podia pescar ali, pois não tinha muitas opções onde conseguisse pescar, prontamente o pus à vontade para pescar onde desejasse, mesmo que fosse ao meu lado, apesar de ser bastante competitivo, coloco em primeiro plano a amizade e companheirismo.
Depois de umas colheradas de engodo, toca de por as bóias a fazer o seu trabalho, após 2 ou 3 lançamentos o cenário apresentava-se pior, além da agua turva, tinha muito limo solto em suspensão, tapando a isca e prejudicando ainda mais a pesca.
Nisto a minha bóia afunda e arranca mar dentro, após alguma luta coloco a seco o primeiro peixe do dia, uma bonita baila, a grade estava safa, fui insistindo neste pesqueiro, engodando esporadicamente e ainda consegui tirar mais uma tainha, mas com a agua a faltar e sem sentir mais nada vi que estava na hora de sondar outros lagos.
Continuei alguns metros para norte, passo para uma pedra mais dentro com aguas mais fundas, mas com mais lixo em suspensão, uma vez que o mar partia um pouco mais ai, mesmo assim tentei, engodei, após 2 lançamentos vejo que não ia dar, a juntar ao lixo a corrente abalava com o engodo para sul e não valia a pena estar ali a perder tempo.
Sem muitas mais opções, faço uma leitura rápida do mar e das correntes, vejo no meio da agua umas pontinhas de pedra entre este pesqueiro e o pesqueiro inicial, onde o engodo que eu já tinha mandado em ambos os pesqueiros se concentrava, nada como tentar ir até lá e ver se deixa lá pescar.
Assim faço, baldinho de engodo no braço e lá vou eu com agua quase pela cintura apalpando terreno até chegar ao ponto X, depois de alcançar as tais pedras tive logo aquela sensação que ia dar uns peixitos, agua mais calma, um pouco mais clara e com pouco lixo, com alguma fundura mesmo encostado a essas pedras, mando 2 colheradas de engodo, balde sempre no braço pois a maré já subia e não tinha poiso possível.
Subo a bóia para por a isca a trabalhar bem no fundo, nem era preciso lançar era só deixar a bóia cair encostada à pedra, em menos de nada ela afunda, ferro o peixe, depois de o trabalhar pô-lo a seco é que era mais complicado já que praticamente não tinha onde o encalhar, estava no meio da agua, mas lá a consegui agarrar, para meu espanto uma bonita safia.
A toada continuou, cada lançamento era um peixe, tirei mais 2 safias e uns sargos, mas já não deixava estar lá mais tempo, tive mesmo de sair depois de tirar um bom sargo, que ficou com o anzol embuchado.
Volto para terra, já com agua bem acima da cintura, quando julguei estar a seco em cima de um lajedo, pouso o balde na laje, seguro-o entre as pernas, para desferrar o peixe e empatar novo anzol, nisto enquanto empatava o dito, abstrai-me do mar e cometi um daqueles erros que nunca devemos fazer, virei costas ao mar, veio uma onda que me levou o balde do engodo, por segundos andou a flutuar, mas acabou por se virar.
Após perder alguns minutos, lá consegui recuperar o balde e a colher, mas o migador não consegui encontrar, a pesca tinha de continuar sem migador.
Vou para junto da mochila, o meu colega Malaquias estava ali perto, contei-lhe o sucedido, como ele tinha o engodo já todo migado, lá me desenrascou o migador.
Ainda faltava 2 horas para o final, vou andando para o lado do carro, fiz uns lançamentos em vários buracos ao lado do meu pai, mas sem sentir nada.
O tempo escasseava e já faltavam condições para pescar ali, fui gastar os últimos cartuchos bem próximo do carro.
Engodo em cima da laje à direita da praia, encurto a altura da bóia para tentar umas tainhas, foi uma boa aposta, tirei 6 tainhas de rajada e para terminar um bom sargo, nesta altura já tinha a companhia do meu pai, que também conseguiu tirar 4 bons sargos e assim terminamos a prova com bastante peixe no pesqueiro.
Depois de entregarmos o peixe no complexo desportivo do Turcifal, hora de matar a sede e fome com umas boas entradas.

Como habitual ajudei na realização da pesagem acompanhado do meu colega de equipa, o peixeiro César.
Agora vem o primeiro grande momento do dia, eu diria que foi um momento de extrema esperteza Saloia, «Alguém apanhou uma dourada», gritou o César.
Até aqui estava tudo bem, não fosse a dourada de viveiro, bem fresquinha, do gelo é claro, já com os olhos meio esbranquiçados e tudo, he he he.....
O artista até se deu ao trabalho de suja-la de areia e tudo, para dar alguma veracidade à captura,  como se isso fosse possível e logo nas mãos de um peixeiro, que diariamente amanha dezenas delas, possivelmente um pouco mais frescas e com melhor cara, enfim!!!
Não foi este peixe, mas era parecida, só faltava mesmo o limão he he he

Logicamente foi desclassificado e saiu bem de fininho, para não ser reconhecido, nem ao almoço foi, ridículo mesmo.
Depois da pesagem terminada, ficou a curiosidade de saber quem seria esta carta fora do baralho?????
Claro, só podia!!! Olha o tal que no ano passado se deu bem, com um robalo muito duvidoso, talvez de viveiro também e ganhou o Convívio de Pesca de Gentias.
Desta vez teve azar e correu-lhe mal, da outra só não correu mal, porque a malta da organização não quis estragar a festa, eu estava na pesagem e por mim tinha sido desclassificado, mas como estava apenas a ajudar, não me cabia a mim decidir.
Deixo agora um pensamento, direccionada somente a este tipo pescadores, que vem para os convívios de pesca tentar fazer todos os outros de otários, estragando muitas vezes o bom ambiente.
Tentam deixar no ar a imagem de que fazer batota compensa, tudo isto só para ganharem algo, uma taça, um troféu, uma lata qualquer que nunca terá valor, pois foi ganho sem história nem veracidade, será apenas um prémio à sua imagem claro está.
Amigos se vierem participar para isto, mais vale ficarem em casa, ninguém vai sentir a vossa falta.

Depois de separado o joio do trigo, seguiu-se o almoço convívio com grande ambiente de camaradagem, onde todos puderam desfrutar da boa comida, bebida e sobremesas, esta é para mim a parte mais bonita destes convívios, as amizades que se criam, a partilhas de experiências e o companheirismo, isto sim é dos melhores prémios que podemos receber.
Antes da entrega de prémios, as entidades promotoras desta feira, demonstravam-se bastante satisfeitas com o sucesso destes certame, garantindo que para o ano se realizará novamente.
Como uma boa pescaria consegui alcançar o 1º lugar, totalizando 18110pts, foi uma boa prenda de aniversário, ganhei também o prémio para a maior quantidade de exemplares, com 17 capturas , um prémio bem bonito oferta de Camões Taxidermia.

Em 2º lugar ficou o João Rodrigues com 10850pts e a fechar o pódio ficou o meu pai, Joaquim Franco com 9880pts.

Nos juvenis, Gonçalo Silva deu os seus primeiros passos na pesca de competição e alcançou o seu 1º lugar com 2160pts, mostrando ao avô Artur Silva como se faz, dou-lhe os merecidos parabéns e que venham mais vitórias.
O maior exemplar foi uma tainha com 1,190kg, capturada pelo Paulo Lourinho.
Por equipas e clubes a Bordinheira dominou, alcançando a vitória em ambas as categorias.

Queria deixar um agradecimento especial a todos os patrocinadores e não podia deixar de agradecer a presença de todos os pescadores, principalmente os que vieram pela primeira vez a um convívio de pesca, espero que tenham gostado e que voltem.

Depois do trabalho completamente feito, ainda ouve tempo para uma boa surpresa feita por amigos, um bolo de aniversário para mim, obrigado, estão no meu coração.
Depois de cantarmos os parabéns a festa continuou, já bem animado depois de uns copos, ganhei coragem para fazer companhia ao acordeonista, cantando uma modinha para animar a malta.



Chegava a hora de regressar a casa, não era cedo, já calculava o que me esperava, alguma natural má disposição, de esposa trocada pela pesca, situação agravada por passar o dia de aniversário longe da família.
Não me enganei nada, o verniz não estalou, saltou todo he he he, levei um raspanete daqueles, bem merecido por sinal, mas nesta situação não dava para ser de outra maneira.
O doce sabor da vitória, bem depressa passou a amargo, andei uns dias algo desanimado, sem vontade de fazer relatos no blog e tive de por um pouco de travão na pesca, fora isso está tudo bem.
Suponho que este seja um mal geral, não devo ser só eu a ter estas chatices de vez em quando, por acaso é com a pesca, mas podia ser com a caça, na bola, para elas é indiferente.
Pesca VS Esposa,  um bom tema para um post, quem sabe se num destes dias de inverno que se avizinham, melancólicos e chuvosos, em que vou estar em casa à lareira, sem poder ir pescar, não me ponho a divagar e a escrever sobre este assunto, ia dar pano para mangas,
Agora tudo voltou à normalidade, como eu costumo dizer, isto também faz parte da pesca, as vitórias, as derrotas, as alegrias, os atritos e as chatices, também lá estão incluidos e são importantes temperos neste carrossel de altos e baixos que é a vida.
Um colega  meu de trabalho, uma pessoa já muito vivida, é que costumava dizer-me, «Ó Pedro, de vez em quando é bom ficar chateado com a mulher, pois na hora de fazer as pazes é tão bom!!!», eu posso dizer que ele está bem certo do que diz.
Grande abraço a todos e vão mas é pescar, com moderação claro está.

6 comentários:

  1. Boas Pedro
    cá está o tal final que eu imaginava eheheh ....SAÚDE

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    1. Boas Nuno,
      era assim tão previsível este final?
      Tudo se resolveu a bem, é o importante.
      Saúde da boa e bons lances.

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  2. Viva Pedro:)
    Ahahahaha, epa tu falas mesmo a sério, desculpa mas só me apetece rir, dessa situação das nossas mulheres, ahahahahah não fiques triste que isso acontece a todos!!!!
    As mulheres são seriam completamente felizes com um homem se ele fosse Gay, ahahahahah e macho ao mesmo tempo:):)
    Mais que merecida essa vitória, tu não paras de trabalhar, muitos parabéns até me dá vontade de ir a um concurso desses só para beber uma jarrada de tinto dessas, ahahaahahah.
    Esse gajo leva douradas:):) devia era levar logo uma corvina para garantir a vitória , :):)
    A gente para tudo!!!
    Não desanimes Pedro, e continua a postar forte e feio, que elas amuam mas depois passa, ahahahahahah
    Força , forte abraço...

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    1. Viva grande João,
      quando fico fulo é quando falo ainda mais sério, não me consigo controlar :(
      Pelos vistos o mal é geral, não sou o único, temos de admitir que nalgumas vezes exageramos e merecemos castigo, temos de as saber levar, não tenho muita pachorra, mas tem de ser.
      Macho sim!!!Gay, escolhe outro, eu sou assim, ponto final.
      Foi uma boa vitória, num fim de semana super trabalhoso, apenas azedado pela insatisfação feminista.
      Já te convidei uma série de vezes para vires até à zona Oeste para participar num destes convívios, garantidamente que ias gostar, este ano que vem não podes falhar.
      De quando em vez lá aparece um cromo destes, cartas fora do baralho, mesmo.
      Vou continuar a postar, pois tal como sou viciado na pesca, também já não consigo passar ser relatar as aventuras que tenho na pesca, dão duplo prazer a cada jornada.
      Grande abraço e boas sargalhadas.

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  3. Mais um belíssimo relatório de pesca com boas informações para quem quer aprender como se apanha uns peixes. Mais uma vitória bem merecida por ter sido bem trabalhosa. O meu neto teve uma iniciação boa em competição. Grande abraço.

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    1. Boa noite grande amigo,
      um relato bastante inspirado e trabalhoso, tal como a vitória.
      As dicas não podem faltar, para que quem leia possa tirar algumas elações do que faço bem ou mal.
      O seu neto teve uma estreia feliz e motivadora, agora que mais pescarias para dar seguimento aos bons resultados.
      Grande abraço e bons lances.

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