Este espaço destina-se à divulgação da pesca, em especial da pesca à bóia e da pesca de competição, onde relato as minhas pescarias e aventuras na região Oeste e não só.

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sexta-feira, 7 de março de 2014

Pescadores de agua doce

Porque a vida são dois dias, e o Carnaval de Torres são seis, que devem ser vividos de forma muito intensa, mas já passaram, cá voltamos à pesca e aos relatos de pesca.
Na quarta feira, aproveitando o ultimo dia de férias escolares do meu petiz, fomos fazer uma pescaria, já que a vontade de pescar dele era muita e estava prometida uma ida ao mar, que para ele é sagrado, se está prometido tem que ser cumprido mesmo que as condições para pescar não sejam nenhumas, raio do miúdo é teimoso como uma mula, não sai nada ao pai!!! He he he....
Sem condições para pescar no mar, pois estava muito bravo, barrento e com muito vento, o que é que eu pensei, vamos à pesca, mas não vai ser no mar, vamos pescar enguias no o rio Sizandro, que passa na minha aldeia, leva bastante agua e está barrento, o ideal para esta pesca.
Foi uma pesca à moda antiga, como nunca tinha ido às enguias, mas sempre ouvi as explicações do meu pai e do meu avô, de como se fazia esta pesca, pus mãos à obra, ou seja na enxada e lá foi eu.
Primeiro era necessário apanhar uma boa quantidade de minhocas da terra, fui até uma zona parcialmente alagada e toca de cavar, em pouco tempo tinha uma bola de minhocas mais que suficiente.
Agora era só fazer o «remelhão», que consiste em colocar as minhocas com recurso a uma agulha, num fio de costura com aproximadamente 1,5mt, eu utilizei uma agulha de costura, mas se for com uma agulha de iscar minhocas é bem mais fácil, mas como não tinha a tropa manda desenrascar.
Depois de enfiadas todas as minhocas, da-se umas voltas à minhocada na mão e ata-se, num caniço atei um fio de pesca, com uma chumbada de 100grs, onde atei a minhocada à chumbada, agora era só levar uma bucha e irmos até ao rio.



Já no rio, era hora de escolher o pesqueiro, procuramos uma margem onde fizesse um fundo com pouca corrente e com condições para estarmos em segurança, levamos um chapéu de chuva, não é que tivesse com cara de chuva, mas este faz parte das artes desta pesca, fica aberto e espetado na berma do rio, funciona como camaroeiro.
Pescas na agua e esperar, de vez em quando levantar as pescas sempre para cima do chapéu, pois se vier alguma enguia agarrada ela cair lá dentro, mas delas nem sinal, ainda era cedo........ e sentados na margem do rio íamos conversando os dois, momentos importantes entre pai e filho, são estes momentos que fortalecem relações e nos fazem criar laços de amizade muito fortes.
As enguias teimavam em não dar sinal, mas para mim o dia estava a correr maravilhosamente, ouvir a agua a correr, os pássaros a cantar, as galinhas de agua a passarem assustadas de uma margem para a outra, faziam-me voltar uns anos atrás no tempo, em que eu menino passava grande parte das minhas férias no rio com amigos, a apanhar pássaros, caracóis e cágados entre outras bicharadas.
Mudamos de pesqueiro, andamos talvez uns 2 kms pela margem e lá encontramos um cantinho, e insistimos, a caminhada abriu o apetite, era hora de comer uma bucha para recuperar forças, meus amigos digo uma coisa, uma sandocha comida ali, ao ar livre em contacto com a natureza, é melhor que comer uma boa dose num bom restaurante, sem duvida nenhuma.


Depois de reconfortados, voltamos à pesca, sinto a cana tremelicar, será desta!!! Levanto devagar e era mesmo uma  boa enguia, acabou por largar-se antes de entrar no chapéu, ora bolas, são poucas e mesmo assim não as apanho, entretanto o João perde também uma da mesma maneira, tínhamos de ser mais rápidos no momento de levantar a pesca de modo a caírem dentro do chapéu.

O dia caminhava para o fim e foi nessa altura que finalmente conseguimos apanhar algumas enguias, eu apanhei 3, e o João 1, talvez por haver menos claridade influenciou nas capturas, pois foram praticamente seguidas já que o resto do dia não sentimos nada.


Chegava a hora de ir para casa, estávamos satisfeitos com a jornada, pois o que estava na lata já dava para o jantar de 10, se 9 não comessem é claro, ha ha ha....Acabamos por devolve-las ao rio, mas foi sem duvida um dia muito bem passado, que vai ficar guardado na nossa memória.
Fico satisfeito por ver que a poluição no rio diminui bastante, quando era miúdo o rio estava bem mais poluído e com pouca vida, agora existe mais vida nas aguas o que é animador, é sinal que algumas coisas que tem sido bem feitas e o dinheiro gasto não foi em vão.
A Câmara Municipal e as entidades que gerem os recursos hídricos, que continuem pois estão no caminho certo, também temos de dar os parabéns quando vemos que merecem, não podemos só dizer mal.
Uma ultima nota, no final da pescaria seja no rio ou no mar, não esquecer de levar todo o lixo do pesqueiro, não custa nada e a natureza agradece.
Um abraço a todos e bons lances seja no mar ou em agua doce.

18 comentários:

  1. Olá Pedro com que então uma brincadeirinha com o futuro campeão :) ,sabes é bom ir passando ás gerações futuras o que nos ensinaram a nós.
    Agora uma observação ,sabes que está proibida a pesca á enguia ? aconselho-te a ler o anexo das espécies desta nova lei que está lá bem explicito como sendo umas das espécies em recuperação não é que nós com aquilo que apanhamos estrague a espécie mas mais uma vez somos nós a pagar.
    Um abraço

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    1. Alô Justino, temos de aproveitar estes momentos que temos a oportunidade para estarmos juntos da melhor maneira, e não dando no mar, porque não irmos ao rio?
      Esta foi apenas uma pesca para entreter e no final os peixes foram devolvidos, mas sinceramente não sabia que esta é uma espécie que está protegida sendo por isso proibida a sua captura, obrigado pela chamada de atenção.
      Um abraço e boas folgas

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  2. Abraço, começo pelo fim.
    Está simplesmente delicioso o post.

    Cumprimentos.

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    1. Grande Zé, ainda bem que gostaste, esta foi uma pescaria diferente do habitual, mas muito divertida.
      Dia 30 deste mês quero que venhas ao convívio da matança do porco na Bordinheira, arranja mais um ou 2 colegas e venham comer um bom petisco e acima de tudo conviver com a malta, vai pensando nisso.
      Um abraço

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  3. Comé grande pedro..:-) Parabéns aos dois pela pescaria, pois tenho a certeza que o teu filho, tal como nós um dia, nunca mais vai esquecer este dia que passou com o seu pai à pesca..:-)
    Fico muito feliz por ver o rosto de felicidade do teu filhote ao pé do pai..:-) Os meus parabéns e um grande abraço amigo..:-)

    Luís Malabar

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    1. Tá tudo em ordem Luis, espero que contigo também.
      Essa é a parte mais importante da pesca em família, foi uma pesca diferente onde fez a sua estreia numa nova espécie, certamente não se vai esquecer deste dia muito bem passado.
      Aquele abraço companheiro.

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  4. Oi Pedro, já fiz essa pesca com o meu pai a muitos anos, é bem divertida, ele é do ribatejo e domina esta arte,ahahhahahah, só de imaginar este petisco, uiuiui, é pena que aqui na lagoa não se pode pescar, mas onde se pode???? foge, eu a 5,6 anos ainda as apanhava a cana com camarão vivo ve lá, só que agora não se pode, parabéns pelo relato, faltava só a foto do petisco. grande abraço.

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    1. Boas João,
      O teu pai é da zona onde esta pesca é frequente e típica, belos petiscos são feitos com este peixe por essas terras.
      Eu nunca tinha feito esta pesca, mas ouvia o meu avô e o meu pai a falar no antigamente, que se divertiam muito com esta pesca e decidi experimentar, ao que parece infringi a lei que desconhecia por completo que esta é uma espécie que está proibida a sua captura, mas também no final o pescado foi todo devolvido à agua e por esse motivo não tenho fotos do petisco.
      Tu ai estás feito, no mar é só restrições e em terra vai pelo mesmo caminho, qualquer dia se quiseres pescar tens de montar um aquário em casa para poderes matar o vicio :)))
      Aquele abraço sargalheiro

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  5. Boas Pedro,
    Mas um dia à maneira com teu sucessor... :)
    São dias desde que nos fazem a semana passar rápido! :)

    Forte Abraço

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    1. Alô Manuel,
      nem mais, foi um dia diferente, muito bem passado, daqueles dias que ele se vai lembrar muitos anos mais tarde, eu ainda me lembro das primeiras idas á pesca com o meu pai, verdadeiras histórias de vida.
      É pá a semana para mim passa sempre a correr, o tempo nunca chega para fazer tudo o que planeio.
      Um abraço e bons lances ai pelo Algarve

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  6. Bela reportagem ! Convívio salutar entre pai e filho. Tenho saudades do tempo em que usufruia desse convívio com os meus filhos. Entretanto cresceram, fizeram-se homens... e já não querem saber da pesca para nada. Não fui bem sucedido em incutir-lhes o gosto por este nosso passatempo.
    Faço votos sinceros que o convívio "piscatório"com o seu filho se mantenha por muitos e bons anos !

    Abraço

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    1. Ora muito boa tarde Mário Pinho, desde já agradeço a visita e comentário neste espaço de partilha, uma espécie de diário de pesca.
      Eu tenho imenso orgulho em que o meu filho goste da pesca e siga as minhas pisadas, isto é hereditário, já nasceu com ele, eu não tenho de o incentivar, antes pelo contrário, tenho de o proibir de ir pescar caso as notas não sejam aceitáveis, é que ele sonha com pesca, ele vive e respira pesca.
      Mas quando crescer poderá deixar de lado a pesca, normal, pois existem outras prioridades, e opções de vida que respeitarei sempre.
      Se ele nunca abandonar a pesca, continuará a ser com enorme satisfação que continuaremos a fazer jornadas de pesca juntos.
      Continue a passar pelo blog pois será bem vindo, deixar a sua opinião sempre que achar pertinente.
      Saudações Piscatórias

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  7. Isso é que foi um dia bem passado com o pequenote Pedro! Tens muito jeito para a coisa da agua doce! Gostei muito de ler! Parabéns!

    Um abraço

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    1. Boas Cristovão,
      foi sim senhor, mais virão certamente agora que o tempo começa a melhorar.
      Esta foi a 1ª vez que fomos pescar no rio, deu para divertir mas o jeito esse não é muito, com o tempo melhoraremos qualquer coisa.
      Aquele abraço.

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  8. Boas Pedro,épa voçes estão bem preparados,quando não da no mar da no rio:))))) grande dia para ti e o teu filhote,um grande abraço aos dois.

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  9. Pois é Alexandre, o que importa é ir à pesca com o meu filhote, seja na terra ou no mar.
    Um grade abraço e bons lances

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  10. Olá Pedro, novamente dou-te os parabéns pelo blogue, é um espaço excelente para visitar.
    Em relação à pescaria, deve ter sido um dia muito bem passado com a melhor companhia que poderias ter com certeza.
    Pedro podes me dizer onde é esse ''pesqueiro'' ? Tenho muitas saudades de ir a pesca e já que o rio sizandro é aqui pertinho da minha terra poderia ir lá.
    Abraço e boa continuação do blogue.

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  11. Obrigado Sandro, espero que os conteúdos continuem a ser do teu agrado.
    Em relação à pescaria foi mais um grande dia, apesar de fraco no que toca a peixe, estes pesqueiros ficam junto da ponte na Ponte do Rol e o outro perto da ponte da Bordinheira.
    Mas as enguias estão por todo o rio Sizandro desde Torres até ao mar, é apenas uma questão de estarem reunidas as condições ideais para esta pesca, algum caudal no rio, e aguas barrentas.
    Atenção que está proibida a captura desta espécie, eu não sabia mas fui chamado a atenção num comentário, não é que tenha levado para casa o que apanhei pois devolvi ao rio, mas de qualquer das formas é contra a lei.
    Um abraço e continua a passar por aqui e comentar pois serás bem vindo.

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